sábado, 21 de maio de 2011

UMA METRÓPOLE QUALQUER

CASAS ENTRE FUZIS
ÔNIBUS EM CHAMAS NO ASFALTO
ARRASTÃO, MORTE, SEQUESTRO
UMA PATAMO PASSA CORRENDO
UMA AMBULÂNCIA PASSA CORRENDO
CORRENDO VAI UM RABECÃO
A MIL DISPARA UM CORAÇÃO(CUIDADO COM O ARRASTÃO)
ETA VIDA DO CARALHO, MEU DEUS!

Um comentário:

  1. Esse é o Real cotidiano de um guerreiro chamado: "trabalhador". Vê e passa por muitas coisas.

    Lá vai um poema meu que tem tudo a ver com suas palavras.


    -Falta tudo, menos veneno-

    Debaixo do sol
    Bem de baixo do sol
    Vejo filha segurando a mão...
    A mão de sua mãe.

    Vejo neta segurando o braço
    O braço de sua avó.
    Que um dia, assim como todos,
    Também retornará ao pó.

    Vejo poças profundas e secas de um futuro alagado
    De tanta lágrima ameaçada
    Por causa da soberba.
    – Mas que coitada, não leva à nada.

    No começo da rua me deparo com um menino
    Pedindo umas...
    Umas moedas, para dar pra sua tia...
    Que não come a sete dias.

    Logo no meio, no meio do caminho...
    Me deparo com a moça, que com aparência boa...
    E seus trinta anos inteiros ao invés de procurar emprego,
    Me coloca na parede e me pede um dinheiro.
    – Tal como se eu fosse banqueiro.

    Mas logo no final, no final do daquela rua...
    Vejo cena de manchete, uma mãe com seu bebê...
    Cheirando cola e pedindo esmola.
    Deixando seu filho a mercê.

    – Mas que irritação!
    Fico eu indignada com tanta pobreza
    Com tanta falta de compreensão, desse País do futebol...
    Que não ganhamos nem terçol, que dirá o anzol.

    Olho pro céu e suplico: "oh meu Deus"!
    Que trajetória oprimida.
    E como sempre comovida fico eu.
    A se eu pudesse, se o meu dinheiro desse...
    E se talvez eles quisessem, como seria diferente, realmente diferente.

    Vejo carros passarem apreçados...
    Não esperam nem o sinal verde abrir, para sumir.
    Mas que banal! É esse o estágio que chegou o ser humano
    Mata um atropelado e ainda foge pelo cano.

    E ninguém viu, e ninguém vê....
    – Cambada de medrosos.
    E a cultura que implora ser cultura
    Querendo toda essa mistura
    Fica só na moldura.
    – Mas tem que mudar!
    Em espírito fico eu, rezo logo um Pai Nosso
    Para dar-nos a bravura, pois essa vida é uma loucura.
    Mas o que é normal?

    Trabalhador seguindo o rumo de sua casa
    Desce escada, sobe rua, pega ônibus....
    Comuns? Que nada, são todos Hércules do cotidiano.
    E chegam em casa, dão de cara com o William e a Fátima
    E se deparam com a notícia:
    "Da miséria
    Da polícia
    Da infâmia
    Da milícia dessa terra....
    Mas que inércia, pois fica só na memória
    Na memória fica, as coisas mal resolvida".


    ((( Camila Senna ))))

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